Artigos 100% compatíveis com os retro computadores TK 90X e TK 95 da Microdigital e com a linha ZX Spectrum da Sinclair.

www.retroprogramacao.blogspot.com

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14/11/2019

Novo blog para usuários de interface Beta Disk!


Com meu recente entusiasmo pelo uso de interfaces de disquetes padrão Beta Disk (compatíveis com os TKs nacionais), criei um blog exclusivo sobre o assunto.
Minha proposta é deixar registrado, passo-a-passo, a maneira como podemos operar e criar disquinhos para esta interface.
O tempo passou e, em plena era de interfaces modernas tipo divIDE e divMMC, resolvi tirar minha Beta da gaveta e desfrutar de uma experiência única de retro computação.
Nada como ouvir o "slap, slap" dos discos novamente!  :)

https://randusr15360.blogspot.com/

19/09/2019

Os tesouros do ZX Spectrum...


Assim como a imagem que ilustra este breve artigo, ser entusiasta da retro-computação da linha ZX Spectrum, é como entrar num grande labirinto repleto de surpresas e tesouros escondidos.
A diferença de um micro que foi campeão de vendas, também conhecido como o modelo para o qual mais se produziu softwares e interfaces, é notória e indiscutível. Hoje isso vai ficando cada dia mais claro para estes entusiastas.

Passados quase 38 anos de seu lançamento, ainda somos surpreendidos com preciosas descobertas de "novos" softwares, literaturas e interfaces que jamais imaginávamos que existissem. Soma-se também a estes, os que ainda estão sendo produzidos, ano após ano. Verdadeiros tesouros, muitas vezes escondidos em web sites "distantes", de idiomas obscuros e totalmente fora da nossa realidade, tais como os russos, ucranianos, gregos, etc. Lugares que parecem ser uma fonte inesgotável de surpresas!

Certamente este é um dos motivos que faz esta linha ser tão especial e encantar tantos admiradores.

13/09/2019

Como fazer etiquetas "profissionais" para micros e interfaces.

Quem já teve oportunidade de adquirir algum micro ou interface da linha ZX Spectrum de mim, certamente já viu alguma etiqueta personalizada decorando o hardware.
Pois é, eu curto muito dar uma renovada no equipamento, principalmente quando faço minhas caixinhas personalizadas para proteger as interfaces (que geralmente são vendidas com o circuito exposto).

Estas etiquetas são adesivas e possuem um revestimento plástico bem resistente, dando um toque "profissional" e de qualidade ao resultado final.
Hoje vou explicar como faço isso.

Em primeiro lugar, eu preparo uma folha A4 no Microsoft Publisher com todas as logos e desenhos que me interessam transformar em etiquetas, distribuindo e ocupando todos os espaços livres da folha.

Depois utilizo uma folha de etiquetas A4 da Pimaco (que são de melhor qualidade e possuem melhor aderência). O modelo que utilizo é o A4267 (uma etiqueta única por folha, que ocupa todo o espaço).
          
A impressão é feita numa HP jato de tinta (com sistema bulk de tinta - bem mais em conta). A impressão no modo normal já me garante uma ótima qualidade.
          
Na sequência, eu utilizo uma plastificadora portátil  A4 da Menno e folhas de plastificação Pouch Film A4 com 125 micras (0,05) de espessura.
         
Mas atenção: Estas folhas de plastificação são duplas, pois envolvem todo o objeto a ser plastificado. Entretanto, eu só preciso plastificar um lado da folha, pois o verso tem que estar livre para que eu possa remover o papel de proteção da etiqueta Pimaco na hora de colar.
Neste caso eu tenho que retirar um dos lados (uma folha de plastificação acabará servindo para duas folhas de etiquetas) e remover as bordas que sobram. Ela tem que ter exatamente o mesmo tamanho da etiqueta Pimaco. Se ficar alguma rebarba para fora, ela vai agarrar dentro da plastificadora e você perderá todo o teu trabalho, correndo o risco de danificá-la.

          
Com a plastificadora na temperatura ideal (existe um indicador para cada espessura de plástico), é só inserir com cuidado a folha de etiqueta com o plástico por cima (com a parte fosca da cola virado para a impressão). Ao sair do outro lado, observa-se um brilho intenso nas cores da tinta.
Para garantir uma boa aderência, eu geralmente passo novamente a etiqueta uma segunda vez na plastificadora e deixo esfriar com um peso (tipo um livro) em cima.

          
Pronto! Agora é só cortar com uma tesoura afiada ou um cortador de mesa, como visto abaixo.
Remova a proteção do adesivo e cole onde bem desejar.
Certifique-se de que a superfície esteja bem limpa e sem poeira.
Uma vez colada, você poderá remover a etiqueta, mas ela ficará inutilizável.

         
Enjoy!  :)

ADENDO:
Pensando na possibilidade de nem todos tem acesso a uma plastificadora doméstica, seguem algumas sugestões.

Plastificar em papelarias - A plastificação pode ser feita numa papelaria mesmo, desde que observada as condições acima (plastificar somente de um lado). A diferença deste método é a formação de uma película semi-rígida que fica na etiqueta, deixando-a quase como uma plaquinha.
A maioria das papelarias utiliza uma plastificadora de 2 rolos de filme plástico, sendo que somente um deles seria utilizado.

Uso de verniz spray - Infelizmente não dá certo. O papel absorve e muda de cor. Vernizes spray só funcionam em alguns papéis especiais e com alta gramatura (que não é o caso do papel etiqueta).

Plastificação manual - Uma solução mais barata é a aplicação de Contact transparente, porém utilizando uma espátula com muito cuidado para não formar bolhas de ar. Com o Contact fica mais difícil de cortar devido ao tipo de plástico (tem que ser com uma tesoura extremamente bem afiada) e o aspecto fica mais "amador".

11/09/2019

O TK 95 que escuta tudo!















Você já imaginou o teu TK 90X ou TK 95 escutando todo tipo de gravação, em qualquer gravador ou MP3 player, independente de intensidade do volume? Parece um sonho né? Mas não é mais.

Em meados dos anos 80, quando nossos micrinhos foram lançados, ler as fitas K7 de programas era um verdadeiro "tormento", principalmente quando não tínhamos um gravador adequado e uma fita bem gravada. Pois é, o tempo passou e aí vieram os práticos e baratos leitores e gravadores de MP3. A nossa esperança era de que, finalmente, poderíamos ler nossos programas sem depender de qualidade de fita e gravador. Grande engano... Os micros continuaram a ter a mesma dificuldade de leitura. A explicação é que isso não ocorre por causa dos players, mas porque o próprio sistema de filtros internos da porta EAR dos TKs não permite a leitura no volume fornecido por eles.

Mas, como pra tudo existe uma solução, nosso amigo Victor Trucco criou uma pequena interface interna (batizada de TK-EAR) para acabar de vez com esta limitação. Acho que, depois da criação das saídas de vídeo composto, esta foi a invenção para os TKs mais prática de todas. Meu entusiasmo com esta interface se justifica, pois consegui ler todo tipo de gravação fazendo esta interessante modificação em quase todos os meus TKs (infelizmente o mod não se aplica no ZX Spectrum original, mas acredito que, se bem estudado, pode ser adaptado).

Na imagem abaixo, é possível ver a plaquinha que instalei num pequeno espaço livre entre o dissipador e a porta do joystick.

  

Sem mais delongas, segue o link da página do Trucco com as devidas instruções:

https://www.victortrucco.com/TK/TKEar/TKEar

Recomendo a última opção. No meu caso, não fiz integrado com a interface de vídeo AV, mas separado, pois já tinha o mod de vídeo instalado nos micros. Não tendo, fica tudo muito mais prático se fizer a interface 2 em 1 sugerida pelo Trucco (vídeo AV+TKEar numa única plaquinha).
Divirta-se!

02/09/2019

A história do TK 95 nº 00057.


Este é mais um daqueles momentos em que a retro-computação nos surpreende...
Entre tantas "idas e vindas" de diversos equipamentos que já passaram por minhas mãos, estava numa fase de total desapego, cumprindo uma missão emergencial do meu trabalho que exigia de mim dedicação total. Naquele momento, não havia tempo e nem recursos para readquirir qualquer equipamento, apesar de ainda existir em mim uma demanda reprimida de um projeto ligado aos micros da linha Sinclair.
Para minha surpresa, surgiu a oportunidade de readquirir o modelo que foi o primeiro computador da minha vida, um TK95 da Microdigital. Porém esta máquina tinha uma peculiaridade, pois tratava-se da unidade com número de série 00057, ou seja, do primeiro lote de fabricação da Microdigital no Brasil. Digo no Brasil, porque assim como o seu irmão mais velho TK90X, o TK95 foi primeiramente lançado na Argentina, onde a Microdigital testava a aceitação de seus novos produtos.


O micro veio num estado impecável, sem nunca ter sido aberto ou sequer ter recebido a conexão de um periférico (quando conectamos pela primeira vez uma interface, inevitavelmente fica uma marca no barramento). 
Senti como se estivesse voltado no tempo, contemplando esta raridade de 30 anos que, naquele momento, me presenteava com uma belíssima imagem de apresentação (coisa rara para o antigo padrão de sinal de vídeo em RF). Antropomorfismos à parte, senti como se ele alegremente me dissesse: "Voltei para casa".

É... Não tem como ficar longe destes micrinhos. Como bom entusiasta, sei o quando eles nos fazem bem.   :)

01/09/2019

O que leva um programador de nossos dias a desejar programar em micros considerados obsoletos?



Resolvi escrever este texto motivado pelo questionamento de um programador sobre o "sentido" de, nos nossos dias e com toda a atual tecnologia disponível, alguém querer programar em micros considerados obsoletos.

Pra começar, este é um blog de retro-programação e, obviamente, sempre justificará qualquer tipo de motivação neste sentido. Aqui, no bom e claro sentido, somos totalmente parciais (risos).
A própria existência do blog, para muitos, não faria o menor sentido.

Agora, voltando ao assunto, dificilmente a retro-programação despertará interesse nas novas gerações. Acredito até que ela tenha um prazo de validade determinado, limitando-se às lembranças daqueles que viveram a "época de ouro" da computação, onde tudo era novidade, num ambiente extremamente desafiador. Afinal, nada era fácil naquela época.
Salvo por aqueles que manterão o espírito de colecionadores herdados de seus pais e por iniciativas louváveis de doações para museus da informática, como tenho visto ocorrer nestes dias, o interesse por este assunto se dissipará como a brisa quando nossa geração deixar este mundo.
Vivemos numa sociedade extremamente consumista, sendo que a tecnologia é a que mais contribui para isso, deixando obsoleto em poucos meses aquilo que foi um caro e impressionante lançamento.
O que significa então, computadores extremamente limitados, de mais de 30 anos, nos dias atuais? Lixo, diriam alguns. Então o que significa colecionar e gastar tempo (principalmente programando) com estes "lixos"? Loucura, diriam outros. Afinal, "tempo é dinheiro" e, sob este olhar, eu já estaria perdendo meu precioso tempo e recursos escrevendo este artigo sobre um assunto que tende a morrer com o próprio tempo.
É... Pode parecer que já estou "detonando" com o tema do artigo nesta introdução, mas julguei necessário contextualizar primeiro a nossa realidade.

Tentarei agora esclarecer todos os questionamentos que expus acima, baseado na minha experiência pessoal e de meus colegas entusiastas, com quem tenho o prazer de trocar muitas informações.
Mas antes, é preciso distinguir dois perfis de pessoas que viveram esta fase dos micros do anos 80: Os usuários comuns, que curtiam os jogos e programavam por pura diversão, e os que tiveram sua inicialização na informática nestes micrinhos, seguindo posteriormente carreira de programador (sendo naturalmente seduzido pelas novas tecnologias com o passar dos anos). Estes últimos, na sua maioria, são os que menos se interessam pela retro-computação e são seduzidos pelo poder da novas tecnologias. As exceções, nos presenteiam com poderosas ferramentas de retro-desenvolvimento (a quem somos eternamente gratos).
Dentro destes cenários, alguns tem nestes computadores suas melhores lembranças de infância e juventude. Como que levados pela doce recordação de um cheiro, o contato com o antigos micrinhos traz uma sensação de extremo prazer. Neste caso, o ato de programar só completa a sensação.
A partir deste momento, temos uma peculiaridade interessante no ato de programar jogos ou qualquer outra coisa em máquinas como o ZX Spectrum: A facilidade com que isso pode ser feito nos nossos dias.
Ao contrário da nossa época, onde as ferramentas eram bem limitadas, onde as informações eram lentamente trocadas através de livros e revistas, e quase tudo era feito na "munheca", hoje é tudo muito simples, acessível e fácil. Temos ferramentas incríveis e podemos fazer coisas inimagináveis no passado (com o auxílio dos PC´s e da internet, é claro).
Talvez o sentido, motivação e prazer para muitos seja poder fazer hoje o que não se podia fazer na época, dado às limitações de equipamento e até do contexto de vida de cada um.
A exemplo do Basic Sinclair, que já era simples, hoje temos ferramentas que simplificam todo o processo de digitação (*) e análise dos programas, retornando em tempo real o resultado de cada linha de código. E olha que eu nem citei as ferramentas de criação e conversão de imagens, sons e games que são um show a parte! Sem complicação, sem necessidade de se reaprender uma nova linguagem (poucos tem tempo para isso) e, principalmente, sem ficar refém da obsolescência programada.

Mas tudo isso seria muito pouco diante do prazer de se ver num micrinho original, com todas as suas limitações de hardware, os programas rodando. Esta alegria não tem preço.

Quanto a "perda de tempo e dinheiro", podemos concluir que muitos com o nosso perfil, acima da meia idade (estou sendo generoso - risos), já podem se dar ao direito de administrar melhor o seu tempo e seus gastos, sem a pressão da família e do mercado de trabalho. E, se programar nestes micrinhos nos fazem felizes, como diria meu bom amigo doutor, é algo extremamente saudável e recomendado.   :)


(*) Vale destacar aqui iniciativas muito interessantes de projetos que, ainda em nossos dias, utilizam o bom e velho Basic Sinclair para despertar em jovens o gosto pela programação, utilizando-se de uma sofisticada plataforma de desenvolvimento. Pra quem não sabe, o famoso Basinc surgiu de iniciativas como estas.

08/03/2019

Meu canal de experimentos...

Neste ano resolvi "organizar" e compartilhar meus experimentos em hardware e software de 8 bits num antigo canal que eu já tinha no You Tube.
São vídeos simples, na sua maioria sem edição, cuja proposta é apenas documentar aquisições e explicar as modificações que faço na linha Sinclair.
Se tiver curiosidade, faça uma visitinha... Tem algumas coisas bem legais lá.



14/12/2018

Colecionadores, entusiastas, usuários, saudosistas ou acumuladores?


Fim de ano e chega aquele momento de olharmos para nossos equipamentos que adquirirmos ao longo do ano, refletindo sobre os gastos, a aplicação e, porque não dizer, as alegrias de cada aquisição. Alegria esta que gostamos de compartilhar com os colegas... Hummm... Afinal de contas, o que eles são? O que eu sou? Colecionador, entusiasta da retro computação, simples usuário, saudosista ou um acumulador? Acho que seria legal definir os termos e ver em que categoria podemos nos enquadrar.

Colecionador - É aquele que guarda e preserva tudo relacionado a algum objeto de sua apreciação. Não se preocupa muito em utilizar. Apenas o fato de contemplar suas aquisições já o satisfaz. É detalhista e tem dificuldade de desapegar de suas aquisições.
Entusiasta - É atraído por peculiaridades dos equipamentos e curte muito as aquisições e iniciativas de terceiros, sem se preocupar em formar a sua própria. Totalmente desapegado.
Usuário - Sim, por incrível que pareça, ainda existem muitos que adquirem seus equipamentos para utilizá-los como meio de lazer e diversão. Outro vão até além... fazendo experiências de hardware e software. Geralmente não necessitam de uma grande variedade de equipamentos. São mais práticos e desapegam com facilidade de suas aquisições.
Saudosista - Em maior número, são aqueles marcados por alegres experiências com o equipamento no passado. Assim como o cheiro, músicas e as imagens nos remontam a um passado prazeiroso, a relação com estes micros traz ótimas recordações. Seu apego é tão efêmero como suas lembranças.
Acumulador - Geralmente não foca em um modelo específico e compra tudo o que vê de retro computação de forma compulsiva. Ele realmente acumula equipamentos até começar a ter problemas de espaço físico e seu prazer está em comprar, independentemente se será útil ou não. Não consegue desapegar de suas aquisições.

Bem, acredito que eu tenha um pouco de cada uma destas características, exceto a do acumulador, pois é fácil para mim estabelecer um limite, sendo totalmente desapegado. Enfim, creio que este pequeno texto explica muito da relação que muitos colegas tem com a retro computação. Cada um do seu jeito e com sua diversidade de ideias, porém todos entusiasmados quando o assunto se refere aos nossos "retro-trecos".

Seja em qual categoria você se enquadra, temos muitas coisas em comum. 

Desejo a você um novo ano de muitas alegrias com seus micrinhos de 8 bits!




07/11/2018

O que me atrai num micro de 8 bits...

Nestes dias estive refletindo (e rindo de mim mesmo) sobre o que me atrai em um micro de 8 bits...
Isso ocorreu num momento em que eu havia convertido vários vídeos .AVI (em HD) para um formato que o ZX Spectrum consegue processar, chamado .DVO . Trata-se de um padrão de 8 bits, de baixíssima resolução (com direito ao famoso color clash) e com um som mono deplorável, porém audível.
Com bastante entusiasmo, chamei meu filho (que nasceu na era Windows 95) para assistir meu precioso feito. Ele olhou e disse um singelo "legal". Passado algum tempo, em uma de nossas conversas, perguntei: "Você deve me achar doido né? Um cara que converte um vídeo de alta resolução para um formato deplorável e ainda vibra com isso". Obviamente rimos da situação.

Bom, é daí que vem a reflexão...
Para mim, o prazer está justamente na limitação que a máquina possui e o que ela é capaz de fazer com tão poucos recursos. Esta é a característica principal de um micro da linha Sinclair, cujo projeto foi pensado em economia de hardware (consequentemente o baixo custo) e muita criatividade.
Eu e mais um grande grupo de colecionadores e entusiastas da retro computação (que em idade já chegaram nos "enta"), ficamos tomados por uma saudável nostalgia quando ligamos nossos micrinhos e relembramos nossos primeiros passos na computação. E, quando acrescentamos a isso algum tipo de novidade, o prazer é dobrado.
Também ocorre quando conseguimos fazer os micrinhos processarem vídeos com som, rodar games e demos absurdamente bem trabalhados, tocar música eletrônica ou simplesmente mostrar uma tela pixelada de 8 bits. E o mais incrível: Tudo isso com ridículos 16, 48 ou 128 Kb de memória! Algo inconcebível para um programador de nossos dias.

Por fim, todos temos algo que nos remonta a um passado marcante e prazeiroso. São imagens, sons, cheiros e, no meu caso, micros de 8 bits! Meu amigo médico já diagnosticou este hobby como algo saudável e que eu devo cultivar. Então, como bom paciente, seguirei suas recomendações.  ;)


08/09/2018

Uma vez Spectrum, sempre Spectrum!


Faz pouco mais de um ano que fiz minha última postagem.
Muita coisa mudou neste período, inclusive minha residência, trabalho e minha coleção de retro computadores... Todo aquele acervo foi vendido no final de 2017 e fez literalmente a alegria de muitos colegas.
Passado um ano da correria, recebi (com a participação do meu filho) meu primeiro ZX Spectrum 48K (new old stock) da nova coleção. Só alegria em rever meu micrinho do coração... Agora, com uma postura mais "purista", seguirei, na medida do possível, com meus experimentos de programação em Basic Sinclair.

22/08/2017

ZX Spectrum Next disponível para compras!

O mais novo projeto de recriação do ZX Spectrum, denominado ZX Spectrum Next, agora está disponível para venda em uma loja própria na internet.
O Next é um projeto desenvolvido por brasileiros, com apoio de alguns renomados britânicos e totalmente manufacturado na Inglaterra.
No link abaixo você poderá conhecer os poderosos recursos que foram inseridos nesta versão ultra modernizada, sem perder o charme e as características de nossos micros retrôs.

Atualização em 08/09/2018:
O financiamento coletivo foi finalizado com um estrondoso sucesso e aqueles que compraram somente as placas, já receberam no final do ano passado. Entretanto, o micro completo sofreu atrasos e tem a previsão de entrega marcada para o final deste ano.
Com novos recursos sendo implantados e uma grande quantidade de software sendo desenvolvido para ele, muitos usuários que perderam o financiamento, aguardam a oportunidade de poder comprá-lo em lojas virtuais num futuro não muito distante.




06/02/2017

A história do Basic Sinclair.

O Zx Spectrum, assim como seu clone aqui no Brasil, o TK90X, foi um micro que se tornou mais conhecido entre as massas pelos seus jogos. Mas havia uma grande oferta de programas aplicativos para ele, tais como editores de textos, banco de dados, planilhas, editores gráficos, editores musicais, etc. Boa parte deles trabalhando em conjunto com interfaces que forneciam uma nova funcionalidade para o micro. Entretanto, nada se comparava à facilidade de uma linguagem de programação à disposição do usuário (uma realidade bem distante dos micros de hoje).

A facilidade com que o Spectrum podia se programado, criou uma revolução chamada "programação de quarto", onde alguns jovens puderam vender suas criações para empresas como a Ocean ao preço de um carro esportivo da época. Já outros, não tão bem sucedidos, aventuravam-se em linhas de códigos por puro prazer de programar e ver o funcionamento delas no pequeno e notável micro.

Diz a lenda, que Sinclair foi inspirado em criar o ZX80 depois de ver o prazer que seu filho teve em programar num TRS-80. Numa entrevista para um recente documentário da BBC, observou: "Percebemos que haveria um perfil de jogos para o micro, mas o primeiro apelo foi para que as pessoas colocassem as mãos em um para fazerem alguma programação eles próprios. E elas adoraram fazer! Quero dizer, as crianças principalmente. É um pouco triste ver que hoje isso não está mais disponível para elas."

Foram os dois primeiros anos do Spectrum conhecidos como a "era Basic". Muitos dos primeiros títulos da própria Sinclair foram escritos em Basic. Embora o foco principal do Spectrum foi mudado rapidamente para a utilização em jogos, a programação como parte essencial da experiência do usuário não foi perdida e, com o apoio de inúmeras revistas e de professores da época, o Basic  manteve sua esfera cativante.

Na verdade, o Basic contido no Spectrum já era a terceira versão do Basic Sinclair, seguindo as versões criadas para o ZX80 e ZX81. Todos os três foram desenvolvidos por uma empresa chamada Nine Tiles Software - e não a Sinclair, como muitos imaginavam. John Grant escreveu o Integer BASIC do ZX80 em magros 4K de memória, e o matemático Steven Vickers, de Cambridge, escreveu os BASIC para o ZX81 e depois para o Spectrum (em 8K e 16K respectivamente).

Mas o que fez o BASIC Sinclair tão especial? Tecnicamente falando, não era o melhor em oferta, pois sua capacidade de loop estava restrita a FOR ... NEXT e GOTO, e seu manejo de sub-rotinas foi ainda mais básico. Onde brilhou, no entanto, foi no seu tratamento de erros do usuário: Feedback imediato através de rotinas de sintaxe incorporadas, que não só rejeitava declarações incorretamente formatadas, mas também destacava onde os erros estavam no seu código. Isto fez do BASIC Spectrum uma linguagem muito fácil de aprender através de tentativa e erro. As cores e o som foram acessados ​​através de um pequeno número de comandos conceitualmente muito simples, tais como INK, PAPER, BRIGHT, etc (compare isto, por exemplo, ao complicado sistema de PEEKs, POKEs e CHR$ do Commodore 64). Gráficos e música eram extremamente acessíveis. Tudo isso bem descrito num manual de programação bem compreensível, elaborado por Vickers e Robin Bradbeer, cujo resultado final foi um sistema muito elaborado e orientado para persuadir o iniciante.


Até hoje, a programação permanece para muitos como um aspecto definidor do que foi ter um ZX Spectrum, principalmente porque o BASIC Sinclair foi muito bem sucedido nesta persuasão. Afinal, era isso o que BASIC deveria ser. Certamente, isso foi uma parte importante do legado do Spectrum.




Você não tem que ser um programador de computador para olhar para o BASIC Sinclair e apreciar as coisas que ele ainda pode te ensinar. Começar a lidar com o BASIC, significa ter sua cabeça focada em torno de quebrar os problemas em pequenas e muitas partes, abordando estes um por um. A aplicação dessa habilidade são infinitas e nos ajudam em muitas outras áreas da vida.
 

O BASIC Sinclair não era a única versão do BASIC para o Spectrum. Apresentava-se ao iniciante como uma porta aberta para o mundo da programação e serviu como a ponte ideal não só para outras línguas, mas também para versões mais sofisticadas deste mesmo BASIC. 
Das muitas versões criadas, talvez o exemplo mais conhecido disso é o Beta BASIC do Dr. Andrew Wright, lançado originalmente em 1983. O Beta BASIC passou por uma série de revisões e a versão 3 apareceu em resposta ao concorrente chamado Mega BASIC (publicado pelas revistas Your Spectrum e Your Sinclair). Logo surgiu a versão 4, que foi a versão final, lançada em 1987, adicionando recursos para o Spectrum 128. Foi o mais amado pelas revistas. O Beta BASIC foi uma extensão, e não uma substituição, do BASIC Sinclair original, tornando-o compatível com todos os programas BASIC escritos anteriormente para a máquina. No total, acrescentou algo como 100 novos comandos à linguagem, incluindo novas estruturas e comandos em loop, manipulação de procedimentos avançados, apresentação de listagem recuada e muito mais.
A versão 128 adicionou mais incríveis recursos, como o um som de interrupção com o seu novo BEEP! Comando que permitiu que a música fosse tocada enquanto outras coisas aconteciam no programa - algo que não era possível no simples BASIC Sinclair, onde a ação parava quando uma música era tocada.


Avançando para o dia de hoje, onde motivados pela nostalgia, versões avançadas do BASIC do Spectrum, como Beta BASIC, são lembrados com carinho apenas por um pequeno número de entusiastas (como eu), pois a maioria tem sua atenção voltada, em grande parte, para o original. Acredito também que isso se dê pela dificuldade em se obter literatura especializada destas versões.


Embora nos últimos anos a comunidade Spectrum tenha visto um aumento dramático no número e variedade de projetos relacionados ao Zx Spectrum, o interesse não foi desviado da programação em BASIC Sinclair como um prazer... Por exemplo, existem ainda competições anuais de jogos compilados em BASIC que estão em funcionamento desde 1996, e atraindo um grande número de participantes. É chamado de "Competição de Jogos de Crap" e muitas programas são realmente muito bons. Eu suspeito que a atração para a maioria, é simplesmente uma desculpa para escrever algo no BASIC novamente. 

É claro que, no século XXI, não somos tão tolerantes com o processo de programação BASIC como costumávamos ser. Atualmente, os programas são desenvolvidos em emuladores, onde salvar o seu trabalho é a tarefa de um único clique. Mas isso ficou ainda mais fácil com o desenvolvimento do BASIN (BASIC Interpreter), uma ferramenta dedicada de criação em BASIC Sinclair para Windows, criada por Paul Dunn e que permite que você insira, edite e teste o seu programa a partir do conforto de um extremamente avançado conjunto de ferramentas. O resultado final ainda é um programa em BASIC Sinclair que você pode carregar em um Zx Spectrum real. Um processo muito mais fácil.

Eu não posso terminar sem mencionar Sinclair Extended BASIC (SE BASIC). Um projeto do BASIC Sinclair desenvolvido pelo guru Andrew Owen. Este trabalho traz-nos de volta à evolução do BASIC Sinclair e apresenta-se como o próximo passo nesse processo. Andrew pesquisou BASIC do Spectrum extremamente bem, corrigindo cada bug e até mesmo encontrando espaço para inserir alguns comandos extras. Esta não é uma extensão do BASIC Sinclair no sentido de que o Beta BASIC foi, mas uma substituição real de 16K que poderá ser gravada em um chip EPROM e substituída pela ROM original de um Zx Spectrum real.


Em breve postarei alguns links interessantes.  :)



(texto adaptado com complementos do artigo de C.C. Woodcook)